quinta-feira, outubro 13

Misters, Lós e o Filho do Diabo

Amigos, companheiros... hoji fô dia Santa... hoji fô dia de Graça! Quem fez o Mundo fô Deuse!
Começo por vos dizer, desde já que aquele belo poema postado pela Sua Excêlencia de sua graça Lós Telmos é uma compilação única de Sabedoria e bom Senso! Revela acima de tudo, uma forma de estar na vida, própria de quem se conhece e de quem sabe o que sente!!! Este posicionamento que Lós assume é de louvar e enaltecer... o mérito a quem de direito, e fica feita a justa menção.






Agora... o Poeta! José Régio enquanto poeta do sentimento, retrata mais que tudo o resto, estados de alma fiéis, estados porque todos passamos e não sabemos exprimir... há que saber ler também, para nos sabermos conhecer. Régio ensina-nos algo sobre todo e cada um de nós, traça a nossa angústia, visualiza a nossa efemeridade e expõe-na com a crueldade das palavras certas, imola-nos num descontentamento praticamente irreal, o de quem limpidamente nos vislumbra apenas por sermos humanos - verdadeiro mérito de Poeta!
Conheço-me tão pouco, que ouso deixar o verdadeiro Mestre retratar-me com mais uma de suas sublimes obras... Aos misters que nos acompanham e reconhecem o génio e o talento, deixo-vos a virtude em poesia, mais uma vez pelos manuscritos do Poeta a quem Manuel Bandeira em 1942 teve o desplante de apelidar de "o maior dos vivos". Avaliem por vós.




POEMA DO SILÊNCIO

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.




Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...Senhor!




Que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome..

1 comentário:

Anónimo disse...

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