domingo, outubro 10

Fadas

Está um pouco amarelo demais, este fundo... não que eu tenha algo de muito importante para vos dizer - apenas e novamente aquela vontade imensa de contactar alguém!
Existe a possibilidade de nem me responderem, mas se de facto alguém é mau na verdadeira acepção da palavra, quem de entre nós tem extremo prazer em magoar e desiludir, essa pessoa sou eu. É então um risco calculado, bem menor do que aquele que correriam vós nas mesmas circunstâncias.
A realidade tem-me empurrado inúmeras vezes na vossa direcção, com mais ou menos força... sempre que observo um qualquer sorriso apaixonado, lembro-me de vocês sem saber bem porquê. Outros momentos me têm feito sentir abusivamente estúpido, quando sem perceber como, a vida pára diante de mim, um vazio imenso apodera-se do meu volátil físico e permaneço horas a pairar no desencanto da minha ignorância.
Não vos tento hoje encantar com doces falas mansas, julgo que alguns de vós o sabem bem demais,porém não trago na boca nem na caneta a razão do meu não-silêncio. Nem sempre escrevo deste modo, só a quem pretendo impressionar, e nos momentos mais solenes. Aqui, escrever-vos assim é tão natural quanto mágico - é o mais parecido que tenho com uma razão para vos abordar. Ainda que me digam que não são necessárias justificações para dizer seja o que for, eu preciso sempre de uma boa desculpa para não estar calado...
Têm-me dito sempre que as fadas não existem, desde que o assumiram como verdade?! Eu acredito nas fadas às vezes, quando cerro os olhos da raiva de ver e quando os pisco muito para ver bolinhas. Acredito num «não-sei-quê» superior a algo bom, necessáriamente muito melhor que nós. Não me consigo ver no buraco desde que fixei o «não-sei-quê».
Deixem-me esclarecer algo... quando eu vos parecer confuso, acreditem-se quando vos digo que apenas sou difuso, Não sei dizer melhor o que me vai cá dentro, e por vezes, raras ocasiões, a impressão que deixo na pupila de quem me vislumbrou da outra margem por uma fracção de segundo no meio de tantos outros como eu, é a fiel imagem de quem eu sou. Tem-me sido difícil encontrar esse caramelo para lhe perguntar o que viu de verdade.
Passei por um problema grave que deixou sérias marcas - correu bem. A imagem do coitadinho a pensar como tudo seria se corresse mal, num qualquer psicólogo de Lisboa junto a uma mesa que tresanda a mofo e a cigarros apagados depressa demais, diz muito do que não vos consigo explicar. A existência é uma coisa marada... devia ser negada a si própria/mesma para acabar com este e outros problemas, Ser finito é diferente de viver a prazo, e é nesta diferença que reside a nossa realização, bem como o nosso mais inconformado desespero. Eu vi tudo assim face à minha pequenez, a possibilidade de me transformar num ser iogurtado, com o prazo carimbado à vista de quem nos olha nos olhos em busca de resposta. A treta de um tropeção que acabou em bem...

3 comentários:

AnaP disse...

Difuso? Confuso? Ou apenas um ser humano que exercita o seu cérebro, pensando?... Seja o que for, digo-te uma coisa: escreves com a alma! Beijos***

Eushinha disse...

As fadas são luz que nos rodeiam cheias de pequenas esperanças que nos fazem brilhar os olhos e acreditar que a vida vale apena, sempre, nem que seja porque amanhã nos pode reservar uma nova surpresa...

gatinha disse...

Sabes acho que esse não-sei-quê de que falas é apenas um imaginário , uma coisa a que as pessoas se agarram pra justificar ter ultrapassado os problemas , mas talvez essa força venha apenas de dentro de nós
da nossa propria mente, que inconscientemente reage nuns casos bem noutros nem por isso.Por isso as vezes se diz que se n tivermos vontade própria nada passa.Quem não quer ultrapassar as coisas não ha fadas que lhe valham.Mas são seres tão belos, pk n acreditar neles pra dar um colorido a uma vida tao cinzenta !