Mostrar mensagens com a etiqueta estranho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta estranho. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, abril 17

Sois bizarro, Sois estranho!


- Sois bizarro. Sois estranho! Alongais-vos em delírios inimagináveis,  perscrutais pérfidos trilhos, obscuros, negras silhuetas escondidas em arbustos, apontadas ao abismo que procurais.

- Ah! Escondei-vos assim, desgarrada criatura. Revejo-vos agora, espelhais-vos num irritante sibilo. Resposta mais não ouvireis.

Sinais de nevoeiro, escuto-me chegar ao longe - és sublime! O início do passo que dás, o valor que entregas aos teus actos, a ousadia de avançar. 

- Porém, escutei-vos.

Deixo-te retroceder, se assim optares, que aprendizes forçados regressam à lavoura. Defendo o livre-arbítrio. Um passo atrás ou um passo à frente?

Desgraças, alheias tormentas que vos invadem, sussurram pragas e aniquilação. Distantes, para lá dos Montes de Olimpo, mesmo onde os Mundos se iniciam e terminam, vejo fracos como aqui. Frágeis. 

Distintamente em declínio, vejo-os erguerem-se.

Em uníssono como nunca, heis semelhantes seres finalmente algo firmar. Uma vaga de ocas almas! Pranto! Lamento grunhido aos céus, dores paridas em cantos, essa forma de estar que vos impele para o retrocesso.

- Agora, hoje, entendeis o que penso? Será loucura a vontade de cerrar os olhos, viver pesadelos negros por opção? Delírios, dizias?

- Não vos escuto. Sois sem sentido, a razão não é vossa confidente. Sois bizarro, Sois estranho!


sexta-feira, julho 15

Time Awaits

Vim vomitar palavras - desejo que a silhueta que me enfrenta se desvaneça.

Sobre angústia agora.. não quero praguejar, pelo menos aqui e agora. Mas praguejava. Digo-vos, a batida parou de fazer sentido um destes dias.

E caem, recaem, e tornam a tombar. Devo espancar esta realidade?

O homem pequeno cumprimenta-me. Um bode espia junto à cerca, enquanto desfilo a 50km/hora. Se quisesse atropelava-os ambos.

Ao fim de pouco tempo, quero ir a casa e ficar a ver o mundo girar a partir do meu lugar.

Algo que se passa constantemente, num pérfido movimento perpétuo, uma amálgama de ideias gira, constrói-se e define-se. Ali jaz para nada, ali esmorece.

sábado, abril 30

Nightmare in Manchurai

Já não venho deixar algo aqui há muito tempo.. sei que os nossos milhões de leitores perdoarão esta crise artística, sendo que muitos terão também a delicadeza de perdoar o meu regresso.

Vejo o País em crise económica, política e de valores. Sei que hoje estamos mais perto de um caminho, é necessário reconhecer o problema para o resolver. Por outro lado, não sei se o estado desta nação ainda será um problema visto que os problemas só o são, quando existem soluções. Não me vou perder neste tema, prometo.

Ora a minha última missão apresentou-me outras formas de pensar e de actuar. O mau génio, afinal, abre uma pequena porta para a sensatez, por pouco racional que isso possa parecer. O segredo parece estar na dose, que para surtir semelhante efeito, deverá roçar o limite da paciência do interlocutor, mantendo contudo a boa-educação e uma interpretação acutilante da palavra.

Lembrei-me de falar sobre o acordo ortográfico, porque aqui escrevo no Português que a Professora Ascensão me ensinou. Não sou animal de manter muitos laços com o passado, mas espero no meu íntimo, que ela não saiba ensinar segundo os novos preceitos. Desejo saber Inglês, escrever Inglês e jamais aprender a perdoar a existência de mais um acordo ortográfico.

Ouço putos que já não têm fisgas brincarem, ouço crianças a correr sobre o asfalto em skates e grupos, meninas sem vergonha que trocaram as bonecas por enfeites tais que não existiam desta forma desprovida de valor, quiçá de sentido.

Ainda se corre, mas os motivos da pressa são outros. Agora ando zangado com os pombos que me sujam o carro e com o bolo estragado que me foi servido. Que bolo descarado!

O periquito também é um transtorno, ora está limpo ora não está. Pia muito durante o dia, especialmente se está sol.

À noite já não é tanto assim, e reservo uma hora para tratar do estranho ser que habita a minha sala. Se não estiver satisfeita, incha a barba e muda de cor. Dou-lhe espaço então, entendo perfeitamente a necessidade do bichito. Abastecer de água e minhocas, grilos vivos e agrião, dar injecções de cálcio(!!!!), controlar temperatura e humidade, limpar e alimentar o alimento(!).. amanhã haverá mais. Não me dá muito em troca, mas não ficou de dar. Esta frontalidade é importante no nosso relacionamento, e tem sido isso que fortaleceu a nossa ligação.

O hoje que vivo, devolve-me a simpatia que nunca lhe ofereci. Abraço-a com agrado, e com fervor. É-me indiferente quem passa, desde que o faça. Sempre imaginei um sentir diferente. Um baixo ecoa forte na paisagem. Em todas as paisagens se reflecte e ecoa. Adorno de ouvido mal parido, parte-me o juízo e envolve-me em desassossego.

Aguardo, escuto.

Sinto.

segunda-feira, dezembro 7

Internal Field Separator

Escuto incessantes ruídos, que importunam! Estorvam o suave fluxo de sinapses afundadas que me revisitam. Estou perplexo! Cada ténue nota emitida pelo bater do coração, assume a verdade e clama inocência.

De explorador, tomo-lhe o gosto e perpétuo a indelével caminhada para o expectável desconhecido.

Sou pequeno em demasia, dizem-me obscuras vozes que o meu corpo teimoso não escuta.

Que sou limitado na minha visão, turva pelo coração que me engana e desmente a razão. Desmente a própria realidade, distorce-a, ofusca-a e ilude-me sem piedade. Mulher, tal qual..

Aaah.. e espero que o chão se eclipse numa fugaz fracção de milésimo de segundo, que o Mundo ali tropece e se afunde na espiral do vazio. Careço de compaixão, como sempre.

Crês tu, num simples semblante carregado, porque assim tudo fará menor des-sentido?

Silhueta de cores desgarradas que me toma, abraça-me as formas e discute comigo como deveremos permanecer. Sou o todo que me engoliu, num lance fortuito decidiu atropelar partes erradas, engolir pedaços mortos, enterrar lanternas fundidas. Silhueta bela de onde te vejo partir, sonho com dias que ainda recordo como reais, porque sei que jamais o serão.

Rejeito fotos, imagens e pertences de um futuro que não chegou. Aragem limpa tem tanto quanto de pérfida, ilude a calma, e diz-me que é simples.. E é.. tudo é tão simples que basta olhar.

És a palavra que dizes, o gesto que fazes. Tantas vezes és nada, e nada mais consegues ser, passe o tempo que passar, assim o serás.

Sonho que não te conheci e espero não acordar.

domingo, fevereiro 8

The older it gets...

Vamos começar por uma acção que implica uma indisponibilidade para a escrita de aproximadamente 3 minutos (consequência da falta de prática).

Actualmente a minha actividade leva-me a que a adjectivação utilizada possa não ser a mais requintada, apesar disto, sou perfeitamente capaz de dizer de forma peremptória algo esclarecedor e que apesar de tudo nunca me comprometerá - é mais seguro dizer que "não foram encontrados erros" do que afirmar que "tudo está correcto".
Deixei o suspense na escrita de lado. Não vale a pena esconder o que se vai acabar por dizer.
What´s important?
É bom olhar para trás com poucos arrependimentos. Importante? É talvez comer todos os dias. Mas é bom comer bem. A diferença entre o que apetece e o que tem de ser. O que apetece fazes quando podes. Pois então, o tempo passa e olho para trás. Todos olhamos eventualmente. É doce, o som do passado. Não vejo que algo possa ser de modo diferente, tudo é como é. Se ficou esquecido tal gota perdida em copo bebido, porque apeteceu ou assim teve de ser, sem arrependimentos. Não há que tentar evitar o que já ocorreu - o mal só é real para quem não entende as coisas como eu. . recordo coisas que foram, e a todas encaro com verdade. Isto, com a maior das presunções o digo, faz-me compreender muito das pessoas. Não vejo etiquetas, e pelos olhos digo-te quem és, ainda que não te conheças.
No espelho tens o inverso da tua imagem. Se colocares dois espelhos a imagem fica certa mas continuas sem saber quem és detrás do espelho. És o que faz ou espera que seja feito. És quem olha enquanto se faz? És quem faz e faz fazer, ou quem faz e deixa ver? Quem nunca fez, quem há-de fazer.. e se nada tiver a ver com o tempo? És quem quê..?
Não vejo etiquetas, e pelos olhos digo-te quem és, ainda que não te conheças. Sabemos que nem tudo é aprendido com tranquilidade, e que o que sabemos nos define. Eu sou um pedaço de ti, e de tantos outros, sou o pesadelo mais vil, a serenidade que te inquieta. Sou-o nas calmas. O que imagino não te é concebível, não é razoável aos olhos dos que se não conhecem. Espero-te na outra dimensão da razoabilidade.
Não vejo etiquetas, e pelos olhos digo-te quem és. Não sei classificar de bom ou mau, porque nada vejo assim. Cada acto é isolado de tudo o resto na sua concepção primária, porém na sua execução milhões de variáveis integram-no no real. Essas variáveis não são passíveis de qualquer controle. Ocorre o que ocorre, e nós lidamos com isso. Sei o que vais fazer, antes de o fazeres, e sei que há mais como eu.
Não vejo etiquetas, e pelos olhos digo-te quem és.

quinta-feira, maio 8

Message in a bottle


Estou em sintonia com o que há-de vir, vejo restos, e inteiros também!

Trago um grande encanto por tudo, e não entendo o que se desfaz!

Comoveu-me um teu comentário uma vez. Quero-te dizer que uma vez amigo, sempre amigo! Digam-me o que me disserem, se um dia caminhámos juntos, e num pequeno esgar, sumi pelos cantos da vida.. entende-me.. entende-me que foi a vida quem me levou, com o encanto que os restos nos subtraem..

Estou certo que não passei somente por ti, trespassei-te sem maldade, e fui e sou, amigo! Um dia que se abra o precipício, eu nunca te deixo cair. Quanto mais o percebo, mais me encanta ao estar por aqui, saber-te por aí. Vejo tudo melhor, e até talvez seja melhor.

Quantos comentários loucos em caminhos vagos, emoções espontâneas que fazem o corredor da vida que tão bem disfrutámos juntos. Fomos directos à questão, fosse onde fosse com ou contra quem viesse. Dissemos o que pensámos quando muitas vezes nem pensavamos de igual modo.. e por vezes.. não pensámos de todo!

Essa é a verdadeira cumplicidade (a cumplicidade é o amago da amizade), que resiste às piores condições, conquista-se na certeza da invencibilidade, na luta constante por valores, na batalha da vida onde o suspiro e as ilusões imperam.

sábado, janeiro 19

Espaço da parvoeira

Cara Diana,

Estava a passar e vi que podia participar..

Quero-te dizer que há muito tempo que não cheiro uma rosa, há anos que não páro no meio do campo só para ouvir o tempo passar.

Sou ocupado.

Estou ocupado demais para suportar os encantos do tempo perdido. E... esta é uma consciência triste cheia do que não era suposto ser.. Ah.. alguém entende os destinos do vento numa tarde cansada?

Um carro, vi um carro... igual aos demais na fila para lá.. para cá não se criou confusão.. obra do acaso.

Estou a comentar o espaço da parvoeira, e deixa-me que te diga, se há palavra que me desgosta é parvoeira. Faz-me lembrar um poço fundo e negro de onde apenas sais depois das mais duras provações.

Assim desconfiasse alguém das ironias do destino para o obviar..

Ah! Crês no impossível? Tal beata que emana naftalíneas prosas de descontentamento sibilado por entre cruzes e submissas preces?

Vale demais a palavra, e de menos o acto (de boas intenções está o Inferno cheio). E de filmes em sofás que te sugam o poder para mais um acto qualquer. Ficam as palavras, ficam intenções.

Zás, trás... pás de hélices num barco torto.. somos algo que paira sobre um oceano feio, fundo e frio. Há que ter um rumo, não necessáriamente um destino.

Fica o abraço,

domingo, julho 22

Verdade

"A verdade, quando impedida de marchar, refugia-se no coração dos homens e vai ganhando em profundidade o que parece perder em superfície...


Um dia, essa verdade obscura, sobe das profundidades onde se exilara e surge tão forte claridade, que rasga as trevas do Mundo."

- Rolão Preto

sexta-feira, setembro 29

Good ridance

«So take the photographs, and still frames in your mind
Hang it on a shelf in good health and good time
Tattoos of memories and dead skin on trial
For what it's worth it was worth all the while»



"lover why do you leave on the day i need you the most" por Imamanda

Não sei despedir-me «como é dado»... Tenho uma grande dificuldade em dizer os Adeus como devem ser ditos, talvez por isso o faça por diversas vezes sem encontrar as palavras certas.

Digo muitas, mas as melhores que encontrei até agora soam sempre a justificações:

Porque não me procuraste
Porque tb tu magoas
Porque deixei de acreditar em finais felizes

Já ouvi tantos porque sim, porque não vale a pena, porque és isto ou aquilo, porque és isto e aquilo!

Não sei onde está o livro das razãozinhas mas faz-me falta novamente...

...porque o meu telemovel toca com um som agressivo quando chega uma mensagem...
...porque as melodias mais belas me assolam...
...porque acordar é um incómodo...
...porque não consigo enviar nada que se pareça...
...porque sou mais humano que todas essas razões, esses porquês...
...porque também tenho um limite...
...porque dei tudo, dei o melhor e...


"Shower" por Imamanda

Porque não me procuraste
Porque também tu magoas
Porque deixei de acreditar em finais felizes.

sábado, agosto 26

It´ll go away, I can handle it

Por vezes sinto,
uma vontade incomensurável de mudar as coisas...
Às vezes apetece,
derrubar o mundo todo com um pequeno abraço...
Por vezes adoro,
sentir que sou importante para alguém..



(Apercebo-me vagamente de que é isto que tenho a dizer enquanto calço outro pé que não o meu.. também ela precisa de ajuda, precisa mais que eu de saber que é apreciada, que o mundo ali está à sua espera.. Sinto saudades de quando eu precisava de saber tanto estas coisas como ela precisou agora. Saudades de ser pequeno, de alguém que me pusesse o pé no sapato, me desse a sapatada na mão, e quando o abraço e o carinho significavam apenas amor.)

É estranho pensar que lá vai um mês. Eu vi a lua nova mas nao a vi; vi crepúsculos e alvoreceres mas nao vi mais aquele belo rosto. Eu conheci uma menina que partiu o meu coração em pedaços tão pequenos que passariam até mesmo pelo buraco de uma agulha. Sinto saudades dela como «o sol sente saudades das flores no Inverno mais profundo». O meu coração congelou no frio da sua ausência, e a esperança de que a última despedida não tenha sido o nosso último encontro, fez-me suportar os dias, mas principalmente as noites.
Quando o mundo terminar o seu rendez-vous comigo, subornei um anjo com doces, que me guardasse lugar na estrela do sol, para ali poder aguardar sentado, de coração aberto, pacientemente ansioso pelo seu toque. Não é simples nem fácil, esquecer a vida e todos... e rezar às leis do Universo para que impeçam o tempo de correr para lá. Que um olhar bastasse para a preencher de sonhos e sorrisos, que sentisse o que sinto quando lhe recordo o suspiro tímido e cansado, ou o brilho do seu olhar a tocar-me e embaraçar-me o espírito. Era bom demais, poder dizer-lhe que a amo olhando-a nos olhos, e saber, que mais que ela sentir o mesmo, entende a dimensão do que lhe falo, e talvez... só talvez se consiga reconhecer quando lhe espelho a minha alma.
Abraço um mais-que-querer: é desejo e ansejo.. por calor, abraço, sorriso, carinho.



(Ainda que os «alguéns» na minha vida de hoje tenham meia dúzia de dias, ainda que a vida deles seja pequenita, ainda que não saibam que preciso tanto delas como elas de mim, que sejam chatas, que não obedeçam quando eu queria.. os abraços são sinceros, o carinho é unico, e sinto amor de verdade. Ainda desconheço quem está lúcido e talvez para mim o enigma jamais se desfaça, não tenha abraçado o conforto e calor da sabedoria, mas quase secretamente suspiro, desliza-me o pensamento para que seja este mundo transparente que nelas revejo, um guia, quem sabe um destino .)

sábado, julho 29

Cumplice


"Foi o tempo que perdeste com a rosa que tornou a rosa tão importante para ti."
- O principezinho,de Saint-Exupéry




"O medo.
Esconde-se em teus olhos enquanto te rasgo a carne e agarro o teu espírito.
Os teus lábios tremem, mas quem chora são os meus olhos, estas lágrimas roubei-as de ti.
Tenho o corpo marcado pela tua ausência, tenho as marcas das tuas mãos na saudade do teu corpo, no escasso bom senso de alguns dos meus actos, odeio-te mas não consigo estar longe do teu cheiro, da tua voz, de tudo o que te pertence... Não posso ter-te nos meus bracos, nem voltar a sentir-te... não posso voltar a amar-te. Este é já um corpo morto. Os meus olhos não te conseguem já ver, ouço-te mas estás longe, estás a chorar? Perdoa-me, nao foi minha toda a culpa, a morte meteu-se no caminho, tomou o meu corpo e tirou-me de ti.
Eu, continuo a amar-te..."


"Dizem que o Amor mata.. e quando nao mata é porque morre..
..e quando nao morre é total, absoluto, sublime e perfeito..."



Há pessoas que nos ajudam a viver outras que nos ajudam a morrer... o resto fica entre nós.

sábado, maio 27

Doce ignorância



Perante a perplexidade que me invade neste momento, urge colocar o preto no branco e expor a situação com a máxima clarividência possível. Rejeito o silêncio impune, a indiferença emocional latente que caracteriza o ser estranho que invariavelmente me caracteriza. Sim, envolve-me como a concha envolve o molusco, e também a mim me convém.. nem será a melhor concha, mas a melhor possível - é um refúgio. Sinto que os dias por vir serão no mínimo tão bons quanto os que foram. A onda sempre foi a mesma por aqui, é a beleza do sitio. Parece-me que se está a perder agora a essência da coisa e isso deixa-me triste. O choradinho se for sentido é sempre bem, a conversa das mamas, da bola, de poesia e o camandro.. desde que não se fale mesmo a sério e nos fiquemos pelas patacoadas normais, ou às vezes podemos falar a sério.. curtia dizer que temos alguma regra, mas somos mesmo estranhos e não temos.

já não me interessas, e queria que o soubesses.
vejo-te na sombra,
no teu quarto deitada..
Fecho a porta, apago a luz.
e num silêncio quase doce,
dou um passo e o segundo.
afogo a hesitação,
e num gesto meigo,
abandono a passagem,
a ti e ao quarto,
não quero mais saber.

ou talvez..

Tenho nos olhos,
hoje a vista que ontem partilhamos,
Imagino ainda agora,
os sonhos que antes vivemos.
Abraço as sombras que a ausência traz,
e contemplo a indelicadeza..

Deitei-me com a alma cansada,
corpo dorido de doença mal contraída.
No embalo do teu colo, minha face deitada.
Percebi num esgar de leite, uma lágrima caída.

Desentendo-te o propósito entre beijos de voz
Só um de dois sabe - dali não faz parte.
Luzes de velas por mim tremem, jamais por nós;
Que a sina de te ter não é ainda amar-te.

Escuto-te o embaraço do corpo,
ante o tempo que te entende...
Revejo momentos, no sopro
da pele que o defende.



É o nosso terceiro Junho aqui no blog... é bonito e é um momento único. Oremos então.
Planeei uma excursão a Miranda do Ribatejo, um dia aqui há tempos. E em certa altura do longo percurso, parámos como habitualmente ao quilómetro 95 da nacional 17, como quem vai em direcção a Tondelo. Comprámos as alheiras e seguimos prá festa. Só quero aqui lembrar que não se levou romãs porque havia ainda a possibilidade de comprar mais perto. Só que mais perto depois também ou não as havia boas ou eram caras.
Hoje escrevi isto e fico-me assim.

domingo, março 26

Ignoro o porquê

Tenho passado muito tempo da minha vida a observar quem me rodeia. Tenho visto as paisagens mais belas que o mundo tem para me dar. Ignoro o porquê do meu desacerto, não entendo a minha falta de fascínio com as coisas da vida... mas simplesmente, não atino com a alegria e a felicidade puras.
Sou um apaixonado pela escuridão, tenho-o mostrado a quem me conhece... desde o mais remoto dos meus poemas ao meu texto mais alegre. Sempre surge aquela dedicação, estranha devoção ao vazio hipnótico e transcendente. Sempre me senti tentado a escrever sobre a morte e o pútrido, sobre a mentira e a falsidade... sobre o amor.


Sou o esqueleto, o sustentáculo da minha própria inexistência... um suporte à antítese do que sou que teima em subsistir, que se ergue tal anti-matéria contra os principios da lógica, da física e da razão.

. . .

Tão normal quanto me é possivel ser, palmilho diáriamente uma ladeira escura no frio cansado da noite (curiosamente também há grilos no centro da cidade, onde os prédios ainda não ousaram surgir), e calcorreio duzentos metros em passos que ecoam mais que a vontade que os determina... "sinto-me um mosquito sentado no rabo de uma vaca que rumina à beira da estrada onde os automóveis circulam a 180 km/hora"...

Quando atinjo o topo, recordo sempre os passos que ali dei, não vislumbro os que ainda tenho para dar. Relembro a pedrinha que contornei, o tropeção que não chegou a acontecer, o susto que algum rato maroto me ofereceu de prenda ontem, ou a sorte de não ter sido abordado. Há tantas maneiras de cair por aqui, que vencer o medo que me impulsiona e retém o passo, é uma perseguição que movo a mim próprio e uma batalha que me consome e diverte em simultâneo.

terça-feira, março 14

O amor não se vende ao quilo

Quem me dera ser tudo aquilo
Que tu queres que eu seja...
É pena que o amor não se venda ao quilo,
E que não se tenha tudo o que se deseja!

Se te conseguir amar...
Talvez espere por um fim feliz
Com esperança de não ficar
Com alguma cicatriz!

Por pensar demais na vida
Perdi tudo o que tinha,
Fiquei só e quase enlouquecida.
Que sorte a minha...!

Têm a mania de dizer,
"Cada um tem o que merece!"
Mas é difícil de entender...
A dor que me arrefece.

Cai o sol atrás do mar
Tal como o passado,
No presente se vai camuflar!
E ali fica inquietado.

Tenho vontade de viver
A vida que nunca vivi,
De jamais te esquecer,
De me apaixonar por ti...


- Empty Soul
(Empty Soul é uma alminha com quem troco olhares há alguns meses e palavras há poucos dias. Uma conversa e eis que surge aquela empatia como se algo fizesse sentido! Sem desencontros, fica aqui a prova que quem vê caras não vê corações... Imaginei-a fria, distante ou bonita em demasia para trocarmos mais que um simples olá em conversas ocas de fumos lusco-fusco. Perdoa-me o imaginário e sê bem vinda.Estás muito convidada... )

sexta-feira, janeiro 27

Coisas e Puncarias

Estava para aqui a pensar nisto.. ainda há quem me leia nestas entrelinhas feias que aqui deixo. Masturbação psíquica que não leva a lado algum, é apenas e tão só isso que pesquisam... posso escrever penalti com seis palavras (marcação de livre de grande penalidade) ou gritar bem alto que sei o sentido da vida, desde que não o partilhe com ninguém.. e é precisamente isso que melhor sei fazer.

"This way, follow me" por Valter Elias
Tenho uma caixinha de surpresas vazia, de onde retirei o papel precioso que a enchia (olha, estraguei a minha surpresa) para a encher de boas lembranças. Não que o papelito fosse feio, ou tivesse dizeres com maus. Não era nem tinha. Era um papelito bom, com dizeres bonitos... dizia que eu era muito engraçado, mas de uma forma e com um jeitinho tal!!! Até eu acreditei nesse tal de papelinho.

"Ilumina-me na imensidão azul" por Pedro Moreira
E agora, senhores da recta descendente, a estrada que todos os dias me guia torceu-se e retorceu-se... disse-me um dia: "Sou Hiv +". Na boa, consigo perceber que alguém tenha de me transmitir esta informação sem eu a ter pedido. Mais nada agóia, só um pensamento difuso em forma de caracol... era uma espiral desmesurada que se avolumava na minha cabecita.. eram dois passos largos, largos demais para a perna e para o pé que os quis dar, como se a estrada corresse debaixo de mim, para me ver estatelar ali tão perto, sobre ela com dois pingos de sangue esfarrapado naquele empedrado de alcatrão.

"Juízo Final" por Luís Pinto
Soube-me conhecer, soube-me escutar, apreendeu coisas tais que a vida não explica, coisas mais que as palavras não existem para as descrever, ainda que se soubesse fazê-lo. Não me soube ver, tal como fui... na minha segurança infalível, qual ilha remota onde miras uma réstia de esperança para a vida que te foge e escorre pelas frestas de quatro dedos, não me distinguiu a faísca que o vírus fez renascer no meu canto de olho verde marado, e nem percebeu que me doeu. Tanto que nem quis saber da sua mágoa, da sua tolerância à injustiça. Vi que sei errar de uma forma quase correcta, sem que ninguém me note... e não me sinto já engraçado, apenas um ponto seguro para mim, somente para mim e mais ninguém. Nem para ti que me dizes ter a vida a prazo, presa por dois remédios que ousas não tomar, em desafio idiótico ao mundo dos grandes. Sabes mais que a vida, sim senhor. Sabes de entrega, de devoção, de amores de mágoas, de dores de coração, sabes da vida, sabes sofrer, sabes chegar para cá ficar! Dói-me esta partida imposta que ainda não chegou, para a qual contamos os dias que me custam a passar pelo teu sofrimento (que mais hão-de custar pela tua ausência), mas que não te custam nem te dóem, tu que dás o tempo ao mundo e a quem o mundo tirou tempo demais, foges de mim quando converso com tristes, e corres por mim se nem me chego a levantar. Ris por mim, sentes mais num segundo que eu sei sentir o ano inteiro, porque vais e porque sabes mesmo que é esse o teu destino. Falas-me de uma sorte que não chegas a conhecer, porém anseias para que seja eu a crer nela... não te percebo, não te sei ver com estes novos olhos. És tu aqui deitado a chorar as minhas lágrimas, queres ser eu aí pertinho, mirando pela janela os putos que correm ao dentista com as mães enganadas e os pais de gravatas bordeaux. Eras tu aquele puto ainda há tão pouco... que nos sentámos a falar de dias que vêm, que discutimos sentados Deus e o sagrado, sexo e as miúdas... contei-te tudo para que morresse contigo, mas não queria mesmo que fosse assim.

quinta-feira, janeiro 26

Sonhei Contigo!

Um sonho estranho e ao mesmo tempo trouxe-me coisas que pensei que não existiam mais, coisas que estavam completamente arrumadinhas naquela caixinha a que chamamos coração.
Quando se ama de verdade não há tempo que apague esse sentimento. É como se algo crescesse dentro de nós e nos acompanhasse para sempre, até sermos velhinhos!

"Memory of a morning dream" por Peter Cernat
Quase 10 anos depois, por acaso e sem propósito, sonho contigo e consigo acordar impressionado, arrepiado e a pensar que apesar de não fazeres parte da minha realidade (porque a vida achou que não era comigo que devias ficar) ainda estás cá dentro e o simples facto de apareceres no meu sonho para me baralhares a cabeça e o corpo, é o suficiente para entender que há sentimentos que ficam para sempre!
Senti o sabor do teu beijo, o calor do teu corpo, ainda que de um sonho se tratasse e mesmo acordado, consigo fechar os olhos e sentir as mesmas coisas.Voltei a ter 16 anos e a ter-te nos braços como um adolescente apaixonado a quem ninguém consegue roubar os sonhos.
Catastrophic Dream por Evilgram

Aos 26 anos, não sou nada! Tudo o que sonhei despareceu no meio de imprevistos, azares, enfim.... A solidão mostra-nos a comparação entre ter tudo e perder tudo! E é essa a minha realidade.

Quando se ama com a alma e o coração todo, esse sentimento é para sempre!


:: Publicado por karinalexOliveira em Karen's BLOG (adaptado por mim)

domingo, janeiro 22

Pufpuf

Começou aqui outro dia... não sei como foi por aí! Nasceu o sol, bateram já as 12 badaladas da torre da igreja! Aqui na aldeia já todos votaram... enfim, todos menos eu, que ainda vou aturar o padre ao lado da urna a dizer-me para votar em consciência.


O que me safa é que a filha Agustina do Antero Couves está de baixa e nem sequer foi à missa também! Vou relembrar isso ao Sôr Padre, na esperança que tal possa distrai-lo da minha ausência prolongada. Deus está comigo, porque haveria eu de ir ter com ele?

sexta-feira, janeiro 6

Imbóia

Tenho uma vontade imensa de ir-me embora...
Só ainda não sei para onde, porquê, quando ou como...

sábado, dezembro 17

Preocupações

Chegou o Natal... as prendas da loja dos chinas, os embrulhos... nem sequer fiz árvore de natal este ano! Não tenho putos, não tenho prendas para ninguém, não quero nem dar nem receber, o que pode tornar a época um bocado difícil. Chegou aquela altura em que perdi a vontade de falar com a maior parte do people que conheço... cortei o contacto com a maioria dos energúmenos que me chulavam a boa-disposição e alegria, com as pseudo-amigas da trancada e com os pseudo-amigos dos fumos. Reduzi a minha lista do msn a meia dúzia de contactos bacanos, que não pedem nem dão nada em troca da palheta e da converseta, aos demais, hasta la pasta! Quem foi ainda pede justificações, que não fez nada, que tal e coisa, as pessoas não se mancam?!?! Se me eliminassem seja de onde for, eu não ia pedir batatinhas, mas isso sou eu.
O melhor desta época, é mesmo preparar a passagem de ano, comprar alcool e fumos, carne em barda, umas grades de birras, alugar o place da desgraça e, melhor melhor, só mesmo a viagem para lá. Nem gosto de pensar em mais nada.



Mas chamei a isto preocupações, porque apesar de todos os que deixei para trás, uns com mais justiça, outros com menos, uns com mais pena, outros nem tanta assim, ficam as recordações, los recuerdos de tudo o que fomos e vivemos juntos, os piores momentos em que nos abraçámos em busca de conforto e em que aquele ou aquela agora-ninguém foi tudo para nós, aquele instante... esse agora é tão só um imenso lago profundo de saudade. Lá dizia o sonoro, que o meu cantante das rectas curvantes teimava em berrar a plenos pulmões em todas essas viagens pelo passado, que o que foi não volta a ser. Não dizia era que o que foi, não foi bem assim. O adorno, o resto que eu gostava, aquilo que tornava tudo bom porque era real, era apenas a idiótica sensação de conforto que tinha, não eram as pessoas, não foram as situações nem os instantes buenos, foi mesmo a estranha sensação de harmonia que eu próprio me permitia sentir com aquelas pessoas naqueles momentos, era ilusão pura e dura; era eu próprio bem comigo mesmo, meramente happy.
Preocupo-me com eles, que ficaram ali atrás em género de resolução de novo ano que se avizinha, e desejo-lhes tudo de bom que a vida lhes possa dar (a alguns pelo menos), mas nada resta a ser dito, estou sem palavras mais que não estas, sem razões mais senão as que enumerei... Resta a preocupação, a saudade do bom sentimento, e esse desejo. É a minha prenda de Natal este ano, para todos os que ficaram no caminho, e para todos os que teimo em ainda trazer comigo (porque no meu entender e no meu coração, a antiguidade não é de facto um posto, é apenas prova de bom caracter); preocupo-me convosco e desejo o tal Bom Natal a todos.