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domingo, junho 8

You pretend it doesn't bother you, but you just want to explode



Later in the evenin',
as you lie awake in bed
With the echoes of the amplifiers,
ringin' in your head
You smoke the day's last cigarette,
rememberin' what she said

What she said

Yeah, and here I am,
on the road again

terça-feira, abril 22

Hey Brother


Meus Estafermos,

Tem sido um ano fodido.

Não sou daqueles que se queixam muito do estado da nação. Luto todos os dias, sou pró-activo, não aceito a sorte que tenho e sei que vou ter sucesso. Acho que a dívida tem de se pagar, e faço a minha parte pelo menos, trabalhando e inventando trabalho.

Dos momentos difíceis trago comigo quem em mim acreditou, a memória do alívio, o amparo da família quando tudo o resto falha.

Não sei se sou eu que me isolei, se nós todos temos esta sensação quando crescemos, mas vejo que todos olhamos para o nosso umbigo e parecemos esquecer os nossos.




Não digo isto porque preciso de ajuda - a vida mostrou-me que sobrevivo sozinho quando assim tem de ser. Se calhar mostrou-nos isso a todos, cada um à sua maneira, não sei.

Só me recordo das coisas boas e tenho-me tentado lembrar de algum motivo para não falar com muitos de vós Estafermos há tanto tempo, e não me ocorre nada..


Ouvi este som, e lembrei-me de vocês - devíamos estar presentes uns para os outros.

terça-feira, agosto 23

Corrosão

Janelas de percepção, projecções do infinito ante o meu olhar, espraiam-se em visões próximas, belas luzes, amores e cores fecundam um riacho seco, estalado da dor que tudo queima, abrandam o próprio tempo e fazem-me assim, ali, despender em contemplação sonhos tais, que ousam não terminar.

Percorro florestas densas, através do mato seco, das pastagens mortas pelo calor, que ora sobe, ora se abate sem clemência sobre mim. As provações são sucessivas, até se chegar ao horizonte. Alcanço a miragem finalmente! Meses se diluem nesta recompensa, sangue, suor e lágrimas agora são nada.

Diante de mim, ergue-se um castelo. Vejo uma entrada de pedra em forma de arco, rodeada por arbustos que jamais foram podados. Ao fundo, um lugar soturno desperta-me a curiosidade por breves instantes. O sino ecoa quando o vejo pela primeira vez. Não lhe toquei, talvez o vento seja o responsável. Passo o portão lentamente, como quem desconfia. E desconfio de tudo ali, das paredes, da pedra, das plantas por podar, do sino que toca sem razão, do vento e da porta.

Não bato - abro de uma vez a porta. Entro num magnífico Hall. Lustre encantado, rodeado por brilhantes estrelas, tapete vermelho sangue, velas por todo o lado, uma enorme escadaria e três portas.

O odor é delicioso e dou por mim no centro deste panorama, imaginando as maravilhas que se escondem por detrás de cada porta fechada que encontro. Do lado esquerdo, ouço ruídos e ali me dirijo sem demora. A surpresa é devastadora.

Nesta sala fétida, sentados em torno de uma mesa velha e escura, longe do canto da lareira e do bilhar, vejo claramente um pato, um urso, um touro e um druida, juntos, jogarem à sueca. O pato não tem penas, vê-se claramente que é astuto - não tem nada de pato, para além da aparência. Tem uns óculos que lhe dão um ar "patético". De pele rosada, crivada de pequenos orifícios, raízes de penas que lhe mancham todo o corpo. Joga bem, e faz par com o druida.
O druida, é somente um velhote pálido, assustador. Traja de branco a condizer com a barba. Sobre a sua cabeça paira um capuz bege. Com o olhar sempre baixo, e fala muito pouco. O touro e o urso, são caricatos por estarem sentados em bancos, mas são apenas um touro e um urso jogando em parelha à sueca. O urso cheio de pelo, como seria de esperar, existem sempre pelos a cair perto dele, pelos no ar, novelos no chão. O touro, musculado e negro, brilha sob a luz da lanterna.

Ouso aproximar-me, subir o degrau onde a insanidade nos espera. Faço-o ousadamente, não o digo para me sentir guerreiro, mas porque assim aconteceu.

A lanterna de querosene pingou quase sempre, enquanto o jogo decorreu. Parava por momentos, para as gotas pingarem ao contrário, para cima. A sua luz ali, era fraca mas muito adequada. Ante mim as cartas desfilavam e as palavras eram tão óbvias que nunca ali por nós foram ditas, e assim todos nos conhecemos profundamente. Não éramos todos iguais claramente... falo em nós.. eu sou o quinto elemento nesta história.

Desde então, nunca desci esse degrau, ouso permanecer no nível superior. Conheço-os profundamente, acompanham-me e não me irão deixar tão cedo.

Juntos, aproximamos-nos do Hall de entrada para descobrir o resto da miragem. Não nos podemos reter aqui por muito tempo. A próxima porta é-nos desconhecida. Nenhum de nós conhecia para além daquela sala e Hall.

Ousamos abri-la e percorremos um corredor longo.

Somos perseguidos por algo, julgo tratar-se de um felino altamente inteligente, mas ainda não o percebi, são as sombras que o denunciam a cada lanterna que passamos. Estas lanternas não pingam. O chão pinga para as lanternas, mas já todos estamos habituados.

Após algumas centenas de metros, sempre perseguidos por um ser ainda indefinido, surge finalmente uma porta ladeada por duas lanternas no fim do túnel.

Abro a porta, e deparamo-nos com o Hall de entrada.

Hum-mm... já eliminámos três portas, pensamos nós. Resta a escadaria e o estranho ser que nos persegue no escuro. Vamos avançar, para já juntos. Eu e o Druida à frente, os restantes vigiam a retaguarda. Somos bastantes, e temos do nosso lado a força da miragem. Todos a vimos, e ali nos encontramos a vivê-la!

Subimos triunfantes a escadaria. Esta enrolava-se sobre si mesma, e subia em elipse. Assim subimos nós, elipse acima vigiando a retaguarda, vigiando a frente com o despeito de quem sabe e quer subir mais um degrau, um de cada vez, elipse acima. Subimos centenas de metros, sem esmorecer, vendo a elipse crescer para os céus, lanternas suspensas no ar iluminando-nos o caminho escuro, à esquerda e à direita nada para nos amparar. Degraus sobre degraus até ao topo. Olhar para além dos degraus era um convite à loucura. O abismo para o Hall era cada vez mais assustador, até ao Hall se tornar num pequeno ponto vermelho que se vislumbrava por entre degraus ao longe. Assim, o risco de cair parecia menor, só existem degraus e nós, não há como nos enganarmos!

Esta provação teria sentido? Porquê subir? E porque não?

Degrau a degrau, juntos avançámos. Juntos subimos até ao topo. Terminava numa parede com uma passagem em arco. À frente, por entre as nuvens reparo num tear. De seguida dou comigo a observar uma armadura antiga. O pato está comigo, o druida fala com o urso acerca da nossa localização actual. O touro está completamente cansado. Subir escadas é mais difícil com cascos. Deseja uma cama e esta do nada surge. Ficamos pasmados enquanto o touro descansa!

Estamos muito perto dos Deuses, mas para já não vemos mais escadas.

sábado, maio 27

Doce ignorância



Perante a perplexidade que me invade neste momento, urge colocar o preto no branco e expor a situação com a máxima clarividência possível. Rejeito o silêncio impune, a indiferença emocional latente que caracteriza o ser estranho que invariavelmente me caracteriza. Sim, envolve-me como a concha envolve o molusco, e também a mim me convém.. nem será a melhor concha, mas a melhor possível - é um refúgio. Sinto que os dias por vir serão no mínimo tão bons quanto os que foram. A onda sempre foi a mesma por aqui, é a beleza do sitio. Parece-me que se está a perder agora a essência da coisa e isso deixa-me triste. O choradinho se for sentido é sempre bem, a conversa das mamas, da bola, de poesia e o camandro.. desde que não se fale mesmo a sério e nos fiquemos pelas patacoadas normais, ou às vezes podemos falar a sério.. curtia dizer que temos alguma regra, mas somos mesmo estranhos e não temos.

já não me interessas, e queria que o soubesses.
vejo-te na sombra,
no teu quarto deitada..
Fecho a porta, apago a luz.
e num silêncio quase doce,
dou um passo e o segundo.
afogo a hesitação,
e num gesto meigo,
abandono a passagem,
a ti e ao quarto,
não quero mais saber.

ou talvez..

Tenho nos olhos,
hoje a vista que ontem partilhamos,
Imagino ainda agora,
os sonhos que antes vivemos.
Abraço as sombras que a ausência traz,
e contemplo a indelicadeza..

Deitei-me com a alma cansada,
corpo dorido de doença mal contraída.
No embalo do teu colo, minha face deitada.
Percebi num esgar de leite, uma lágrima caída.

Desentendo-te o propósito entre beijos de voz
Só um de dois sabe - dali não faz parte.
Luzes de velas por mim tremem, jamais por nós;
Que a sina de te ter não é ainda amar-te.

Escuto-te o embaraço do corpo,
ante o tempo que te entende...
Revejo momentos, no sopro
da pele que o defende.



É o nosso terceiro Junho aqui no blog... é bonito e é um momento único. Oremos então.
Planeei uma excursão a Miranda do Ribatejo, um dia aqui há tempos. E em certa altura do longo percurso, parámos como habitualmente ao quilómetro 95 da nacional 17, como quem vai em direcção a Tondelo. Comprámos as alheiras e seguimos prá festa. Só quero aqui lembrar que não se levou romãs porque havia ainda a possibilidade de comprar mais perto. Só que mais perto depois também ou não as havia boas ou eram caras.
Hoje escrevi isto e fico-me assim.

domingo, março 26

Ignoro o porquê

Tenho passado muito tempo da minha vida a observar quem me rodeia. Tenho visto as paisagens mais belas que o mundo tem para me dar. Ignoro o porquê do meu desacerto, não entendo a minha falta de fascínio com as coisas da vida... mas simplesmente, não atino com a alegria e a felicidade puras.
Sou um apaixonado pela escuridão, tenho-o mostrado a quem me conhece... desde o mais remoto dos meus poemas ao meu texto mais alegre. Sempre surge aquela dedicação, estranha devoção ao vazio hipnótico e transcendente. Sempre me senti tentado a escrever sobre a morte e o pútrido, sobre a mentira e a falsidade... sobre o amor.


Sou o esqueleto, o sustentáculo da minha própria inexistência... um suporte à antítese do que sou que teima em subsistir, que se ergue tal anti-matéria contra os principios da lógica, da física e da razão.

. . .

Tão normal quanto me é possivel ser, palmilho diáriamente uma ladeira escura no frio cansado da noite (curiosamente também há grilos no centro da cidade, onde os prédios ainda não ousaram surgir), e calcorreio duzentos metros em passos que ecoam mais que a vontade que os determina... "sinto-me um mosquito sentado no rabo de uma vaca que rumina à beira da estrada onde os automóveis circulam a 180 km/hora"...

Quando atinjo o topo, recordo sempre os passos que ali dei, não vislumbro os que ainda tenho para dar. Relembro a pedrinha que contornei, o tropeção que não chegou a acontecer, o susto que algum rato maroto me ofereceu de prenda ontem, ou a sorte de não ter sido abordado. Há tantas maneiras de cair por aqui, que vencer o medo que me impulsiona e retém o passo, é uma perseguição que movo a mim próprio e uma batalha que me consome e diverte em simultâneo.

sexta-feira, janeiro 6

Imbóia

Tenho uma vontade imensa de ir-me embora...
Só ainda não sei para onde, porquê, quando ou como...

sábado, dezembro 17

Preocupações

Chegou o Natal... as prendas da loja dos chinas, os embrulhos... nem sequer fiz árvore de natal este ano! Não tenho putos, não tenho prendas para ninguém, não quero nem dar nem receber, o que pode tornar a época um bocado difícil. Chegou aquela altura em que perdi a vontade de falar com a maior parte do people que conheço... cortei o contacto com a maioria dos energúmenos que me chulavam a boa-disposição e alegria, com as pseudo-amigas da trancada e com os pseudo-amigos dos fumos. Reduzi a minha lista do msn a meia dúzia de contactos bacanos, que não pedem nem dão nada em troca da palheta e da converseta, aos demais, hasta la pasta! Quem foi ainda pede justificações, que não fez nada, que tal e coisa, as pessoas não se mancam?!?! Se me eliminassem seja de onde for, eu não ia pedir batatinhas, mas isso sou eu.
O melhor desta época, é mesmo preparar a passagem de ano, comprar alcool e fumos, carne em barda, umas grades de birras, alugar o place da desgraça e, melhor melhor, só mesmo a viagem para lá. Nem gosto de pensar em mais nada.



Mas chamei a isto preocupações, porque apesar de todos os que deixei para trás, uns com mais justiça, outros com menos, uns com mais pena, outros nem tanta assim, ficam as recordações, los recuerdos de tudo o que fomos e vivemos juntos, os piores momentos em que nos abraçámos em busca de conforto e em que aquele ou aquela agora-ninguém foi tudo para nós, aquele instante... esse agora é tão só um imenso lago profundo de saudade. Lá dizia o sonoro, que o meu cantante das rectas curvantes teimava em berrar a plenos pulmões em todas essas viagens pelo passado, que o que foi não volta a ser. Não dizia era que o que foi, não foi bem assim. O adorno, o resto que eu gostava, aquilo que tornava tudo bom porque era real, era apenas a idiótica sensação de conforto que tinha, não eram as pessoas, não foram as situações nem os instantes buenos, foi mesmo a estranha sensação de harmonia que eu próprio me permitia sentir com aquelas pessoas naqueles momentos, era ilusão pura e dura; era eu próprio bem comigo mesmo, meramente happy.
Preocupo-me com eles, que ficaram ali atrás em género de resolução de novo ano que se avizinha, e desejo-lhes tudo de bom que a vida lhes possa dar (a alguns pelo menos), mas nada resta a ser dito, estou sem palavras mais que não estas, sem razões mais senão as que enumerei... Resta a preocupação, a saudade do bom sentimento, e esse desejo. É a minha prenda de Natal este ano, para todos os que ficaram no caminho, e para todos os que teimo em ainda trazer comigo (porque no meu entender e no meu coração, a antiguidade não é de facto um posto, é apenas prova de bom caracter); preocupo-me convosco e desejo o tal Bom Natal a todos.