quarta-feira, setembro 22

A Ilusão Idiótica do Nada

A ideia de que me posso simplesmente volatilizar é à primeira vista sedutora, contudo nem sempre é ou pode ser, solução para tudo. Falar abraçar, passar, ninguém me disse que ía ser fácil... solidão eterna num mundo estranho que fala, abraça e passa. Ninguém me disse que ía ser fácil, nem justo.
O frio só é comparável ao que nos assola depois do extâse. Ninguém está presente, é a irrealidade que nos rodeia... de facto só eu sou real... o que permanece, o que esteve antes de nós, o que está e estará, é a ilusão idiótica do nada, o espaço dá-nos consciência de uma falsa existência, a «realidade». Se isto não é verdade também não o é a vida, não são as coisas, o espaço e o tempo que nos ofuscam a verdade mais sóbria e assustadora de que só nós somos reais. O resto é um filme, interactivo por vezes (tão poucas quanto a força de vontade do visionador) que fala, abraça e passa, passa, passa......
Somos então o que está errado na tela: uma gota de realidade num oceano vazio de personagens tão iguais quanto possível. Só ninguém sabe o que tal significa... uma figura diferente, que passa a cores mais vivas no ecrã, quando as câmaras param e o surreal cessa, um ninguém sábio que vive do outro lado deste oceano cinzento de erros e enganos, de mágoas e paixão, de ternura fingida, do lado de lá deste mar infindável de traições inconfessáveis, aí está esse ser, a cores e ao vivo, um ninguém sábio que ousa tudo desafiar, ao limite de tornar obscuro o cepticismo, porque detém em si a razão da busca, porque por si se vergam as leis naturais para perceber e justificar uma vida de nada no mais profundo dos cinzentos, como prisioneiro na cela da vida sem janela por onde espreitar; só pessoas que falam, abraçam e passam.
Todas as flores que sonhamos cada dia, as tragédias que sofremos cada vez que o sol nasce, a ilusão de que a vida te pertence, que se merece por direito nato ser mais traiçoeiro que o vizinho do lado... foi assim que nos tornámos um pântano e é por isso que todos passam.
Não há momentos que não mereçam ser esquecidos. E a vida, injusta como se pretende, honrando o seu nome, presenteia-nos diáriamente com espíritos alheios, gozando-nos, pondo dois filmes observando-se mútuamente, ridicularizando o que realmente é real - nós. Se isto não é real , se o cão afinal não disse nada e estou só perturbado, então não sei o que fazer.

4 comentários:

AnaP disse...

Muito obrigada pela tua visita e pelo teu elogio. Fiquei muito sensibilizada, acredita! Não consegui ver o teu blog todo, como podes calcular, mas gostei do que vi. Hoje também não comento o texto, apenas te digo obrigada e aparece sempre que és bem vindo.
Beijos! 100 tretas

AnaP disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
mau anónimo disse...

Eu nao percebo pq eh q o Molghus apagou o outro comentário.. ou sera' q fui eu? nao sei...bem, mas somos 2, cada um escreve o q lhe passa pela cabeça. Tb estive a ver o teu blog, gostei mt, de tal forma q dou um pulinho tds os dias. :) Beijinhos AnaP!

Molghus disse...

Mea Culpa... carreguei nakilo sem kerer e apaguei! Desculpas a todos os lesados. Neste caso, desculpa AnaP, foi mesmo disparate meu! Hasta luego.