domingo, fevereiro 11

Minerva Leclerc


Para Minerva Leclerc que nasceu em nós mas nunca chegou a viver...


Naquele momento ele só tinha olhos para ela: a sua voz, o seu cheiro, o seu cabelo encaracolado sobre os ombros, o seu olhar. Apesar de ser a primeira noite que se encontravam, isso não o impedia de sentir que a conhecia à séculos, por dentro e por fora. Se a pudesse tocar, saberia exactamente onde. Se conseguisse falar, saberia que parte da sua alma era a mais escura. Despi-la por dentro e por fora era o que desejava, mas em vez de a possuir, olharia simplesmente para ela, como se o olhar pudesse conservar, como numa fotografia, as linhas do seu corpo, a sua luz sem luar. Ama-la eternamente ama-la! Era o que pensava e também numa outra coisa...talvez apenas num conto naif...vê-la por dentro e por fora, apesar de saber que por aquela mulher...
ninguém ficou à espera para fazer o vinho!!!

Este texto foi inspirado na personagem de "Credo", monólogo de Enzoo Cormann,
e dedicado ao Grupo de Teatro do IPP de 2004...em particular à Marta,à Sandrine e ao Gonçalo

sábado, fevereiro 3

O Perfume

Tanto o livro como o filme são dignos de um olhar atento...ou devo dizer de um olfacto refinado? As letras e as imagens deixam espaço suficiente para a criação de cheiros reais que nos inebriam e nos transportam para uma existência totalmente diferente, irreverente e surpreendentemente doce... mais que um homem sem cheiro, um homem sem ser, deslocado do mundo onde as habituais regras de horror se resumem a um sem-sentido inocente, do cheiro supremo da mais subtil verdadede: o amor.

Julgar a diferença, ou tentar compreende-la?

" O olfacto é o mais visceral dos sentidos, o que está mais enraizado em nós. As nossas fragrâncias revelam muito das nossas escolhas..."
Chandler Burr in Sábado

Chandler Burr é o primeiro e único crítico de perfumes do "The New York Times", critica aromas com a arte. Considera-se um estudioso de fragrâncias! Aqui ficam dois conselhos simples mas úteis de quem mais sabe sobre o assunto:

  • O perfume deve ser guardado num sitio escuro e frio, sendo que a luz é um dos elementos que mais o afecta. O frigorifico é o sitio ideal para a sua manutenção, se não for possivel um armário fresco e escuro é a alternativa.
  • O perfume deve colocar-se, em primeiro lugar, na zona do pescoço pelo lado das costas. Seguidamente deve colocar-se nos antebraços, o que permite que ao andarmos espalhemos a fragrância e demarquemos o nosso espaço!

domingo, janeiro 21

Swim


Absorvido na arte de nadar perde tudo em cada braçada que dá. De cada vez que o seu braço forte rompe a água, perde uma lágrima e com ela um outro sonho que talvez nem chegasse a ser sonhado até ao fim... De cada vez que erguia a cabeça para um novo sopro de vida desejava afundar-se, simplesmente naufragar. Mas era o conforto da submersão que o fazia erguer-se a cada dia e, em terra firme, continuar a caminhar...


Foto in: physicsweb.org

sábado, janeiro 13

Fairies Poem


Mulherzinhas pequeninas
De asas azuis pintadas
Vestes brancas de nuvens
Trazem no olhar os sonhos
Quentes breves e eternos
De crianças perdidas
No coração das gentes crescidas



Nascidas num outro Sol
De estrelas em vão caídas
Viajam da Lua às avenidas
No horário inesperado
Nas noites sem fim perdidas
E inventam outro espaço
Oferecem sonhos: prendas de laço

Nesse espaço sem tempo
Não há horas nem minutos
Há um vento vagabundo
Que de tão leve e fecundo
Leva ao embarque na luz incerta
Que sem lingua ou som corrente
Num segundo inspira a mente



Mulherzinhas pequeninas
Com vestidos brancos de nuvens
De asas azuis pintadas
Não são Mentira, não são nada
São só sonhos de luz
São apenas e só Fadas!

Images from fairiesworld.com

sábado, janeiro 6

DESEJOS...

Que todas as vossas manhãs se apresentem em rios de esperança...
Que olhes para cada porta fechada como um porta ainda por abrir...


Que cada janela se abra à força da tua imaginação e fantasia...


Que na areia seca de um qualquer deserto consigas descobrir o verde...

Que por cada muro de pedra seca encontres...

Três bicas de água doce e uma torrente de água fresca!


Que o teu banco nunca fique vazio...


Que cada pôr do sol seja sempre visto como um recomeço e nunca como um fim...

Que as fadas e os duentes escondidos

no escuro dos dos bosques


e na na explosão de cor do deserto te acompanhem sempre

mostrando-te aquilo que nem sempre consegues ver ao primeiro vislumbre!

Estes são os desejos para quem lê de quem escreveu para este novo ano de 2007... acima de tudo: Sê Feliz!

Texto e fotos originais de Eushinha

terça-feira, dezembro 5

A casa, A escuridão


" A tua ausência é, em cada momento, a tua ausência. Não esqueço que os teus lábios existem longe de mim. Aqui há casas vazias. Há cidades desertas. Há lugares.


Mas eu lembro que o tempo é outra coisa, e tenho tanta pena de perder um instante dos teus cabelos.


Aqui não há palavras. Há a tua ausência. Há o medo sem os teus lábios, sem os teus cabelos. Fecho os olhos para te ver e para não chorar."

A casa, A escuridao- José Luis Peixoto

segunda-feira, novembro 20

apenas o silencio

nada tenho a escrever
tudo disse
lutei por todos os meus ideais
apenas o silencio me resta
um mundo tao grande e ao mesmo tempo tao pequeno
sem graca
o que vejo faz me fugir
para os recantos mais longincos de tudo de todos
apenas quero estar so
ninguem em que pensar
sem murmurios
sem dor

um mundo abstracto
onde a paz nos faz doer
e a guerra interior nos faz gritar
o passado e para sempre um presente mt intenso que nos faz pensar

Que nao qeremos mais lutar
que tudo e futil
deixei de preocupar com tudo
porque nao tenho
e para isso vou lutar
apenas o silencio me satisfaz
nem ao espelho olhar
nada ver nada amar
vazio como o ar
apenas um vento a diambular
nada a temer
apenas em espera
a espera que me venham buscar

domingo, novembro 19

Saudades


Saudades! Sim... talvez... e porque não?
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coracão

Esquecer! Para quê? Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão

Quantas vezes, Amor, já esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!


- Florbela Espanca

quinta-feira, novembro 2

Elogio ao Amor



"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossivel. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à minima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-socio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilibrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coracão e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alivio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá la um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor e amor. E essa beleza. E esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida as vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um principio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. E a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito dificil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - e o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la tambem."

Miguel Esteves Cardoso in Expresso

sexta-feira, setembro 29

Good ridance

«So take the photographs, and still frames in your mind
Hang it on a shelf in good health and good time
Tattoos of memories and dead skin on trial
For what it's worth it was worth all the while»



"lover why do you leave on the day i need you the most" por Imamanda

Não sei despedir-me «como é dado»... Tenho uma grande dificuldade em dizer os Adeus como devem ser ditos, talvez por isso o faça por diversas vezes sem encontrar as palavras certas.

Digo muitas, mas as melhores que encontrei até agora soam sempre a justificações:

Porque não me procuraste
Porque tb tu magoas
Porque deixei de acreditar em finais felizes

Já ouvi tantos porque sim, porque não vale a pena, porque és isto ou aquilo, porque és isto e aquilo!

Não sei onde está o livro das razãozinhas mas faz-me falta novamente...

...porque o meu telemovel toca com um som agressivo quando chega uma mensagem...
...porque as melodias mais belas me assolam...
...porque acordar é um incómodo...
...porque não consigo enviar nada que se pareça...
...porque sou mais humano que todas essas razões, esses porquês...
...porque também tenho um limite...
...porque dei tudo, dei o melhor e...


"Shower" por Imamanda

Porque não me procuraste
Porque também tu magoas
Porque deixei de acreditar em finais felizes.