sábado, agosto 26

It´ll go away, I can handle it

Por vezes sinto,
uma vontade incomensurável de mudar as coisas...
Às vezes apetece,
derrubar o mundo todo com um pequeno abraço...
Por vezes adoro,
sentir que sou importante para alguém..



(Apercebo-me vagamente de que é isto que tenho a dizer enquanto calço outro pé que não o meu.. também ela precisa de ajuda, precisa mais que eu de saber que é apreciada, que o mundo ali está à sua espera.. Sinto saudades de quando eu precisava de saber tanto estas coisas como ela precisou agora. Saudades de ser pequeno, de alguém que me pusesse o pé no sapato, me desse a sapatada na mão, e quando o abraço e o carinho significavam apenas amor.)

É estranho pensar que lá vai um mês. Eu vi a lua nova mas nao a vi; vi crepúsculos e alvoreceres mas nao vi mais aquele belo rosto. Eu conheci uma menina que partiu o meu coração em pedaços tão pequenos que passariam até mesmo pelo buraco de uma agulha. Sinto saudades dela como «o sol sente saudades das flores no Inverno mais profundo». O meu coração congelou no frio da sua ausência, e a esperança de que a última despedida não tenha sido o nosso último encontro, fez-me suportar os dias, mas principalmente as noites.
Quando o mundo terminar o seu rendez-vous comigo, subornei um anjo com doces, que me guardasse lugar na estrela do sol, para ali poder aguardar sentado, de coração aberto, pacientemente ansioso pelo seu toque. Não é simples nem fácil, esquecer a vida e todos... e rezar às leis do Universo para que impeçam o tempo de correr para lá. Que um olhar bastasse para a preencher de sonhos e sorrisos, que sentisse o que sinto quando lhe recordo o suspiro tímido e cansado, ou o brilho do seu olhar a tocar-me e embaraçar-me o espírito. Era bom demais, poder dizer-lhe que a amo olhando-a nos olhos, e saber, que mais que ela sentir o mesmo, entende a dimensão do que lhe falo, e talvez... só talvez se consiga reconhecer quando lhe espelho a minha alma.
Abraço um mais-que-querer: é desejo e ansejo.. por calor, abraço, sorriso, carinho.



(Ainda que os «alguéns» na minha vida de hoje tenham meia dúzia de dias, ainda que a vida deles seja pequenita, ainda que não saibam que preciso tanto delas como elas de mim, que sejam chatas, que não obedeçam quando eu queria.. os abraços são sinceros, o carinho é unico, e sinto amor de verdade. Ainda desconheço quem está lúcido e talvez para mim o enigma jamais se desfaça, não tenha abraçado o conforto e calor da sabedoria, mas quase secretamente suspiro, desliza-me o pensamento para que seja este mundo transparente que nelas revejo, um guia, quem sabe um destino .)

7 comentários:

Paulo Sempre disse...

A solidão é sempre dolorosa quando "gira" à volta da rendilhada geometria duma cama....
Ou não????

Cemideias** disse...

Estranhamente bem escrito... Simplesmene Lindo... Parabéns...

eu sou a rima e Tu o instrumental disse...

a saudade que sinto de t ter, de te beijar, de t amar ... tudo isso fax com k o dia seja mau, frio , sem luz... pk só tu es o meu sol, o meu viver... só quero dizer o que n poxo dixer...mas que paxo a dixer,,, ou seja, que te AMO.

Coool disse...

Estou a ver que voltaste em grande! Parabéns! Continua!
Aquele abraço!

_m0nd_ disse...

Que posso dizer?
Faltam-me as palavras e só me sai um mero: MARAVILHOSO

Unicus disse...

para além de extremamente bem escrito o texto revela uma sensibilidade incrível.
talvez vamos arrastando o peso da solidão sem nos darmos conta nesta sociedade que ajudámos a criar e por essa razão acabamos por ser cúmplices dessa doença dos tempos modernos. Nunca o homem esteve tão só. Vislumbro no entanto uma luz ao fim do túnel, em jeito de esperança e quiçá de utopia; mas esta só o é até deixar de oser. Vale a pena correr atrás do sonho

Giroflé flé flá disse...

Eu estranho... que alguém se estranhe e pense que esta sensibilidade é estranha!
Só não excluo a palavra 'estrannha' porque na sua definição inclui descomunal e admiravel, especialmente 'singular', única... única como os trevos de quatro folhas, dificeis de encontrar mas que realizam desejos maravilhosos!

do Lat. extraneu

adj.,
desconhecido;
que não é usual;
curioso, singular;
extraordinário;
anormal;
descomunal;
admirável;