Retrato muito pouco fiel da vida de algum ilustre desconhecido, que perdido numa imaginação doentia, se afoga docemente embalado pela corrente do vazio... assim começou.
sábado, janeiro 19
Espaço da parvoeira
Estava a passar e vi que podia participar..
Quero-te dizer que há muito tempo que não cheiro uma rosa, há anos que não páro no meio do campo só para ouvir o tempo passar.
Sou ocupado.
Estou ocupado demais para suportar os encantos do tempo perdido. E... esta é uma consciência triste cheia do que não era suposto ser.. Ah.. alguém entende os destinos do vento numa tarde cansada?
Um carro, vi um carro... igual aos demais na fila para lá.. para cá não se criou confusão.. obra do acaso.
Estou a comentar o espaço da parvoeira, e deixa-me que te diga, se há palavra que me desgosta é parvoeira. Faz-me lembrar um poço fundo e negro de onde apenas sais depois das mais duras provações.
Assim desconfiasse alguém das ironias do destino para o obviar..
Ah! Crês no impossível? Tal beata que emana naftalíneas prosas de descontentamento sibilado por entre cruzes e submissas preces?
Vale demais a palavra, e de menos o acto (de boas intenções está o Inferno cheio). E de filmes em sofás que te sugam o poder para mais um acto qualquer. Ficam as palavras, ficam intenções.
Zás, trás... pás de hélices num barco torto.. somos algo que paira sobre um oceano feio, fundo e frio. Há que ter um rumo, não necessáriamente um destino.
Fica o abraço,
quarta-feira, janeiro 2
Say it ain't so
(...)
"a perfeição é una e indivisível
e não há nada
(nada)
que não se rasgue em
dois. mas tudo resiste
dois ou três segundos
e há quem
adivinhando-lhes o segredo
os guarde no peito
como quem os guarda no bolso."
quinta-feira, dezembro 20
Só
Eternamente Só....
Perdido em lágrimas de solidão, vagueando no fim do mundo sem
olhar a outros olhos, porque os seus próprios já não podem ver.Perdido sem já qualquer uma ilusão, nada mais a ver, nada mais a sentir, nada mais...vazio!! Esquece agora a vida, deixa apenas a chuva cair lentemente a abraçar o teu rosto dorido, a tua roupa quente que num acto desesperado absorve a única coisa que o mundo lhe pode dar: água caída das nuvens distantes da terra, pertinhas do céu!! Não quer mais palavras transformadas em sons, rabiscos indicifráveis à dor da morte do sonho, à dor da inexistência.Perdido...simplesmente só na morte do corpo...na morte da alma!!!
domingo, setembro 9
quinta-feira, agosto 23
Break Down
Estou cansada. O sono apodera-se de mim e adormece a desilusão que me abraça. Sou um farrapo que alguém usou e desprezou. Sou os restos mortais de alguém que amou sem nunca conhecer a infinitude de um ser maior. Chove por dentro de mim. Uma chuva torrencial que quebra a transparência do meu ser. Procuro-me nas tuas palavras na ânsia de me rever ontem, hoje e sempre. Procuro nelas o abrigo para o inverno que se faz sentir nas entranhas do meu ser. Encontro um abismo sem fim. Tudo oco. Tudo vazio. E tecla a tecla, vou imprimindo palavras soltas na tentativa de redesenhar o meu percurso, delinear novas metas. Vou tentando retirar-te da minha vida, apagar as tuas marcas e esquecer-te no mais íntimo de mim. Não sou poeta, falta-me o ser erudito, a eloquência para te satisfazer e te prender. Nunca o fui. Nunca a tive. Talvez por isso, me amasses menos. Talvez por isso, buscasses outros enredos. Outras aventuras.
Eu... sou o que sou e nada mais! Um ser imperfeito, inacabado. Às vezes, desejável, mas sempre insuficiente. Gostas de histórias de palácios e dragões. Princesas por resgatar, sentimentos por desbravar, sensações mágicas.... Eu sempre fui a realidade possível, a princesa de chinelos, sem palácio e sem dragões. O sentimento comum, a sensação vulgar. O beijo mais banal num contexto sofrível, mas no qual nunca precisaste de ser o herói. Comigo, nunca viste estrelas, nunca provaste o salgado, nunca andaste descalço. Nunca sentiste borboletas!
Eu... sou apenas o tempo ultrapassado. Um tempo que se desfaz em cinza por um espaço que se dilui a cada segundo. Sou as memórias de um livro por reinventar. As lembranças de uma história por reescrever. Sou um sonho que se esfumaça a cada passagem do teu ser. Uma lágrima a cada ponta do véu levantada.
Queria adormecer e não voltar mais a esta vida que visto, sem formas e sem cores. Queria despir-me do peso de um passado que não escolhi mas que agarrei. Queria despir-me de ti. Não mais sentir-te em mim, no modo como te instalas e sais impune. Queres palavras bonitas? Eu quero mais! Quero um amor talhado no céu. Um amor com as minhas insígnias. O meu nome inscrito em cada centímetro de pele. O meu rosto em cada olhar devolvido. O meu sorriso em cada gargalhada espontânea. Quero rever-me em alguém. Ser a alegria e a tristeza partilhada. Ser a vida e a morte de alguém.
Faltam-me as forças para quebrar este pensamento obssessivo, no qual as ideias se atropelam e nada revelam. Não cabem em papel. Não cabem na alma, na vida. Assumes a forma de um estranho que me despertou para uma consiência que depois abandonou. Um estranho que já me tocou e que viria a rejeitar-me no sonho que não partilhou. Procuro alcançar-te com as minhas mãos, mas sob elas encontro um papel em branco por preencher. Procuro gritar e chamar-te, mas outro chamamento prevalece. E enquanto tudo se redefine, o cansaço vai-me adormecendo e embalando a desilusão que tarda em abandonar-me!
de Cátia Pinto
*Foto de cyril berthault-jacquier
terça-feira, agosto 21
Pela Mão da Vida
gargalhadas e silêncios.
Partilham-se históiras de encantar
e amores desencantados.
Partilha-se o leite e a cama,
a torrada e o sorriso.
Partilha-se a pimenta e o sal,
o mel e o gelado.
Partilha-se a mão e o beijo,
a ilusão e as caricias.

Partilha-se o desgosto, guarda-se o remorso
Partilha-se de novo o silencio...estranhamente!
Partilha-se o segredo...separamente!
Partilha-se o corte...desesperadamente!
Partilha-se a ruptura...pura e simplesmente!
domingo, julho 22
Verdade
Um dia, essa verdade obscura, sobe das profundidades onde se exilara e surge tão forte claridade, que rasga as trevas do Mundo."
- Rolão Preto
sábado, abril 14
L'amour
terça-feira, abril 10
Quase
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
* Texto de Sarah Westphal Batista da Silva