"Meu gozo mais intenso é ver e sentir tuas contorções de prazer quando me ofereces tua dor...é assim que se manifesta em toda a plenitude nosso estranho e belo amor..."
Retrato muito pouco fiel da vida de algum ilustre desconhecido, que perdido numa imaginação doentia, se afoga docemente embalado pela corrente do vazio... assim começou.
quarta-feira, junho 30
segunda-feira, junho 28
quarta-feira, maio 12
A Canção Desesperada
Tua lembrança emerge desta noite em que estou.
O rio e o mar enlaçam seu lamento obstinado.
Abandonado como um cais na madrugada.
É a hora de partir, oh abandonado!
Sobre o meu coração chovem frias corolas.
Oh sentina de escombros, feroz gruta de náufragos!
Em ti se acumulam os voos e as guerras.
De ti ergueram asas os pássaros do canto.
Tu devoraste tudo, qual devora a distância.
Como o mar, como o tempo. Tudo em ti foi naufrágio!
Era a hora ditosa do assalto e do beijo.
Era a hora do êxtase que ardia como um facho.
Uma ânsia de piloto ou de mergulhador cego,
turva embriaguez de amor, tudo em ti foi naufrágio!
Na infância de névoa, minha alma alada e ferida.
Descobridor perdido, tudo em ti foi naufráfio!
Tu cingiste-te à dor, prendeste-te ao desejo.
Derrubou-te a tristeza, tudo em ti foi naufrágio!
Fiz recua então a muralha de sombra,
caminhei para além do desejo e do acto.
Oh carne, carne minha, ó amada que perdi,
a ti nesta hora húmida evoco e torno cântico.
Como um vaso guardaste a infinita ternura
e o infinito olvido partiu-te como um vaso.
Era a solidão, solidão negra das ilhas,
e ali, mulher de amor, me acolheram teus braços.
Era a seda e a fome, e então foste os frutos.
Era a dor e as ruínas e tu foste o milagre.
Ah, mulher, eu não sei como pudeste conter-me
na terra da tua alma e na cruz dos teus braços!
Meu desejo de ti foi terrível e breve,
o mais revolto e ébrio, o mais tenso e mais ávido.
Cemitério de beijos, ainda há fogo em teus túmulos,
ainda os cachos ardem picados pelos pássaros.
Oh boca mordida, oh membros beijados,
oh os famintos dentes, os corpos entrançados!
Oh a cópula louca de esperança e esforço
em que ambos nos atamos e nos desesperamos.
E a ternura, suave como a água e a farinha.
E a palavra que mal começava nos lábios.
Esse foi meu destino, nele singrou minha ânsia,
nele caiu minha ânsia, tudo em ti foi naufrágio!
Oh sentina de escombros, em ti tudo caía,
que dor não exprimiste, que ondas não te afogaram!
De queda em queda ainda chamejaste e cantaste.
De pé como um marujo sobre a proa de um barco.
Floresceste ainda em cantos e brotaste em correntes.
Oh sentina de escombros, poço aberto e amargo.
Mergulhador cego e pálido, derrotado e fundeiro,
descobridor perdido, tudo em ti foi naufrágio!
É a hora de partir, a hora dura e fria
com que a noite domina todo o horário.
O cinturão ruidoso do mar abraça a costa.
Surgem frias estrelas, emigram negros pássaros.
Abandonado como um cais na madrugada.
Somente a sombra trémula se torce em minhas mãos.
Ah, para além de tudo! Ah, para além de tudo!
É a hora de partir. Oh abandonado!
Pablo Neruda
O rio e o mar enlaçam seu lamento obstinado.
Abandonado como um cais na madrugada.
É a hora de partir, oh abandonado!
Sobre o meu coração chovem frias corolas.
Oh sentina de escombros, feroz gruta de náufragos!
Em ti se acumulam os voos e as guerras.
De ti ergueram asas os pássaros do canto.
Tu devoraste tudo, qual devora a distância.
Como o mar, como o tempo. Tudo em ti foi naufrágio!
Era a hora ditosa do assalto e do beijo.
Era a hora do êxtase que ardia como um facho.
Uma ânsia de piloto ou de mergulhador cego,
turva embriaguez de amor, tudo em ti foi naufrágio!
Na infância de névoa, minha alma alada e ferida.
Descobridor perdido, tudo em ti foi naufráfio!
Tu cingiste-te à dor, prendeste-te ao desejo.
Derrubou-te a tristeza, tudo em ti foi naufrágio!
Fiz recua então a muralha de sombra,
caminhei para além do desejo e do acto.
Oh carne, carne minha, ó amada que perdi,
a ti nesta hora húmida evoco e torno cântico.
Como um vaso guardaste a infinita ternura
e o infinito olvido partiu-te como um vaso.
Era a solidão, solidão negra das ilhas,
e ali, mulher de amor, me acolheram teus braços.
Era a seda e a fome, e então foste os frutos.
Era a dor e as ruínas e tu foste o milagre.
Ah, mulher, eu não sei como pudeste conter-me
na terra da tua alma e na cruz dos teus braços!
Meu desejo de ti foi terrível e breve,
o mais revolto e ébrio, o mais tenso e mais ávido.
Cemitério de beijos, ainda há fogo em teus túmulos,
ainda os cachos ardem picados pelos pássaros.
Oh boca mordida, oh membros beijados,
oh os famintos dentes, os corpos entrançados!
Oh a cópula louca de esperança e esforço
em que ambos nos atamos e nos desesperamos.
E a ternura, suave como a água e a farinha.
E a palavra que mal começava nos lábios.
Esse foi meu destino, nele singrou minha ânsia,
nele caiu minha ânsia, tudo em ti foi naufrágio!
Oh sentina de escombros, em ti tudo caía,
que dor não exprimiste, que ondas não te afogaram!
De queda em queda ainda chamejaste e cantaste.
De pé como um marujo sobre a proa de um barco.
Floresceste ainda em cantos e brotaste em correntes.
Oh sentina de escombros, poço aberto e amargo.
Mergulhador cego e pálido, derrotado e fundeiro,
descobridor perdido, tudo em ti foi naufrágio!
É a hora de partir, a hora dura e fria
com que a noite domina todo o horário.
O cinturão ruidoso do mar abraça a costa.
Surgem frias estrelas, emigram negros pássaros.
Abandonado como um cais na madrugada.
Somente a sombra trémula se torce em minhas mãos.
Ah, para além de tudo! Ah, para além de tudo!
É a hora de partir. Oh abandonado!
Pablo Neruda
sábado, abril 17
Asas da Saudade
Enquanto ausente estás
É o tatear de cada palavra tua
Que apazigua o desassossego da espera
As mãos envoltas em pétalas de carícias
Esculpem no aconchego da lembrança
A fragrância florescida da cumplicidade
Distante de ti é a saudade
Pássaro pousado em meu peito
E quando o pensamento beija-me de ti
E os olhares vazios me perscrutam
Ansiando o sobrevir de um gesto teu
É que me rendo aos pés da memória
Que acalenta nossos momentos
Na fímbria dos meus anseios
Foge o corpo em devaneio
Feito anjo-mulher alço-me
Rumo ao horizonte dos teus olhos
Migro-me para os teus enleios
Colhida pelas asas da fantasia
Encontro-te no azul dos sonhos
É lá que desabrocho em teus lábios
Gotas de orvalho para os meus beijos
- Fernanda Guimarães
É o tatear de cada palavra tua
Que apazigua o desassossego da espera
As mãos envoltas em pétalas de carícias
Esculpem no aconchego da lembrança
A fragrância florescida da cumplicidade
Distante de ti é a saudade
Pássaro pousado em meu peito
E quando o pensamento beija-me de ti
E os olhares vazios me perscrutam
Ansiando o sobrevir de um gesto teu
É que me rendo aos pés da memória
Que acalenta nossos momentos
Na fímbria dos meus anseios
Foge o corpo em devaneio
Feito anjo-mulher alço-me
Rumo ao horizonte dos teus olhos
Migro-me para os teus enleios
Colhida pelas asas da fantasia
Encontro-te no azul dos sonhos
É lá que desabrocho em teus lábios
Gotas de orvalho para os meus beijos
- Fernanda Guimarães
segunda-feira, março 29
Chantili
A cena dos Kilts não me entra na cabeça... elas curtem mesmo a cena. Mas a sério, pernas peludas com saias, escocesas ou não, não me parece bem. E esses gajos andam a soprar uma situação!!! Uma gaita de foles!!!
Neste anúncio das boas envergonhadas, já se vislumbra alguma masculinidade nas criaturas... pois, a sério!.. os gajos vêm a cavalo, foi bem jogado da parte deles (elas curtem a cena, naquela do principe encantado que chega a cavalo), chegaram e naquela da cortesia deram-lhes a prenda que traziam (os cavalos não têm bagageira), vai daí fica só o Kilt.
Para melhorar a situação podiam por as miúdas descascadas... era bem lembrado da parte deles.
Neste anúncio das boas envergonhadas, já se vislumbra alguma masculinidade nas criaturas... pois, a sério!.. os gajos vêm a cavalo, foi bem jogado da parte deles (elas curtem a cena, naquela do principe encantado que chega a cavalo), chegaram e naquela da cortesia deram-lhes a prenda que traziam (os cavalos não têm bagageira), vai daí fica só o Kilt.
Para melhorar a situação podiam por as miúdas descascadas... era bem lembrado da parte deles.
domingo, dezembro 21
Inauguração
Esta é a primeira frase de uma conversa que não tem um fim marcado, e existe tão só para satisfazer o meu ego. Que se saiba desde já que nada tenho de importante a dizer ao mundo, apenas quero falar também, como a criança que vê todos com um brinquedo e também deseja ter um.
Não gosto de enganar ninguém... eu sou um pouco kinky, por isso é mais do que provável que o blog também se torne gradualmente mais perverso - convém avisar já de antemão...
Por hoje ficamos assim, gostava muito de por aqui uma maluca toda descascada mas por agora ainda não é possivel...
Não gosto de enganar ninguém... eu sou um pouco kinky, por isso é mais do que provável que o blog também se torne gradualmente mais perverso - convém avisar já de antemão...
Por hoje ficamos assim, gostava muito de por aqui uma maluca toda descascada mas por agora ainda não é possivel...
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